sábado, 3 de março de 2012

DISCURSO SOLENIDADE DE FORMATURA 9º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL 2007

Senhoras e Senhores, Autoridades Presentes, Senhores Pais, Querida Diretora, Caros Colegas, Queridos Formandos,

Muitas e muitas noites perdi formulando mentalmente as palavras que gostaria de dizer neste momento. Em vão. Compreendo agora, diante de vocês, que nenhuma palavra, por mais poética ou enfática que fosse, conseguiria traduzir as milhares de emoções que se fazem presente. Não me preocuparei em ser extremamente fiel em minhas palavras, pois como já disse Paulo Coelho, “existe uma linguagem que está além das palavras”, e é desta linguagem que pretendo fazer uso.
Lembro-me de quando conheci vocês... Quando conheci como professora, quero dizer, porque muitos sempre freqüentaram a minha casa. Foi há apenas dois anos, mas já parecem milênios... Foi um ano muito difícil para mim, algumas decepções me assolaram e corri um sério risco de perder a fé nos homens. Mais eis que, em sua infinita justiça e sabedoria, Deus os coloca em meu caminho. Assumi Língua Portuguesa nas turmas das então 7ª e 8ª séries. E algumas vezes por semana encontrava-me com essa explosão entusiasmo, alegria, paixões, esperanças, inocência e fé na vida. Desta forma, mais do que alunos, tornaram-se diuturnamente minha fonte de esperança e renovação. Cada um a seu modo, conquistou um espaço dentro do meu peito:

Anderson – Nem preciso falar... Meu preferido! Quando o conheci como aluno, fiquei tão encantada que todos os dias eu tinha estórias para contar a Renato. E foi assim que ele ganhou muitos apelidos, pois como Renato não conseguia lembrar-se do “Zé Gotinha”, dizia “Zé Leitinho”, “Zé Branquinho”... Ele é ímpar, contagia a todos os colegas com seu entusiasmo, suas brincadeiras sadias, não tem vergonha de perguntar e aprender... Pergunta qualquer coisa, até “Aline, como escreve dez de? Como assim, Anderson, dez de quê? Assim ó: mamãe eu te amo dez de bebezinho.”
Caio Côrrea – Esse é difícil... Queria saber como pode uma só criatura possuir tantas qualidades... É sincero (até quando cola!), é amável, companheiro, educado, inteligente, apaixonado... Um fofo! Extremamente fiel à turma do abismo, leva a vida na flauta. Mas possui uma capacidade extraordinária, e pode realizar todos os seus sonhos, Caio. Até mesmo aqueles que hoje possam te parecer impossíveis. Como já disse Shakespeare: “Se os teus sonhos estiverem nas nuvens, não se preocupe. Eles estão no lugar certo. Agora construa os alicerces.” Você sabe que mora mesmo no meu coração.
Caio Terin – Ih! Ele já deve estar pensando: quero ver só o que ela vai falar de mim. Porque contestar e apelar é com ele mesmo: o moreno. Destruidor de corações. Alguém consegue imaginar essa turma sem ele? Sem suas reclamações, sem aquele falatório contínuo? Impossível! Nem que seja na marra ele entra no coração da gente. E não sai fácil não, heim! Teimoso que só.
Camille – Meu Deus! Vai ficando cada vez mais difícil. Fecho os olhos e parece que ouço seu riso... Meio roquinho, cheio de inocência e encanto. Igual a ela, um encanto para os olhos e para a alma. A realização de qualquer professor pode ser alcançada tendo-a como aluna. Foi um prazer, um orgulho fazer parte do sucesso.
Claudinho – Bem, modificamos um pouco né, Fid? Super entrosado, divertido, acompanhamos bem de perto o desenvolvimento dele. Podemos dizer que foi visível seu crescimento intelectual neste último semestre. Muita capacidade, que, aliada a algum esforço, pode alcançar patamares bastante elevados. Que os seus esforços sejam mais visíveis também. Obrigada por partilhar tudo isso conosco.
Daniela de Fátima – Oi Alininha! Digo que parece comigo: pavio curtinho, curtinho. Pequenininha. Sou sua esperança, porque sempre conto que meu uniforme na 8ª série era tamanho oito anos. Depois cresci, ela espera o mesmo. Vale lembrar que os melhores perfumes vêm em pequenos frascos. As árvores frondosas começaram em minúsculas sementes. Não importa Dani, o tamanho físico das pessoas. Já dizia Fernando Pessoa, “eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura...” A Dani que mora no meu coração é uma giganta...
Daniella Freitas – Também freqüentadora da turma do abismo. Uma alegria para os olhos, um amor de menina. Sempre educada, amorosa, bem-humorada, amiga. Tá certo que nem sempre interessada, esforçada... Mas são muitas as ocupações para essa cabecinha, não há lugar pra tudo, né, Dani? O amor vem sempre primeiro... Nem sempre é uma opção consciente nossa. Muitas vezes tudo isso é passageiro, mas a amizade, essa mora do lado esquerdo do peito. Pra sempre. Te adoro!
Isabela – Apesar de muito, muito quietinha na sala de aula, ela é hiperdivertida. Muito, muito de bem com a vida e com as pessoas. Incapaz de arranjar qualquer confusão. Se for para ajudar, contem com ela. Se não, ninguém nem a vê. Seus esforços serão todos recompensados Bela, primeiro porque você faz por merecer e vive em comunhão com o cosmo e com você mesma. Tenho que agradecer o muito que fez pela minha filha, espero que o tempo não apague essa amizade. É sempre um prazer ter você por perto.
“João Victor – Se eu soubesse, iria cantar: não, não me abandone, não me desespere, é que eu não posso ficar, ficar sem você.” Me explica, como vou sobreviver sem falar, João, João, João, João. E escutar: Aline, Aline, Aline. Seu nome é música para meus ouvidos. Vocês acreditam que, querendo me agradar ele disse que eu era uma coroa enxuta? Temos que dar umas aulas pra ele de como agradar as meninas... Inesquecível, você, João!
Kamylle – Meu amor, você é a criatura mais meiga, mais doce e mais feliz que eu conheço! Ninguém nesta vastidão de mundo é mais feliz do que ela. Seu sorriso é luz, que contagia, cura, alimenta. Uma amiga de verdade, uma fofura de filha, um amor de aluna. Foi uma delícia ter você durante estes anos. Não me abandone, preciso de sua alegria.
Laurinha – Loló mora no meu coração, desde que brincava de casinha na minha varanda e começava a construir os seus sonhos. Ia pra minha casa, levantava cedo e lavava varanda, quintal, roupa, o que tivesse por perto com capacidade para consumir sabão em pó e espalhar espuma. Cresceu, tornou-se uma mocinha linda, cheia de sonhos que desejo do fundo do meu coração sejam realidade. Sentirei sua falta...
Maurício – Não está conosco, mas esteve nesses anos. Ofereceu a todos nós a oportunidade de presenciar que a vida não é tão fácil, e que nos exige esforços reais. Todos o pensavam quietinho, mas participava bem das brincadeiras, né João? Desejo que seus esforços sejam capazes de transformar não só a sua realidade, mas a de todos nós.
Nilcimar – Talvez Maurício fosse o mais displicente e Nilcimar se esforçasse mais. Nunca se sabe. O fato é que suas presenças nos tornaram mais próximos da realidade, e, certamente influenciaram a todos nós em algum momento. Nilcimar tem alma de poeta e vence suas dificuldades com perseverança, pois elas não determinam o valor nem o sucesso de um homem. O valor de um homem pode ser medido pelo seu caráter. E isto não lhe falta. Portanto, o sucesso há de ser seu companheiro. E eu quero acompanhar e aplaudir.
Iago – Com I, porque com y torna-se gay ao ser lido de trás pra frente. É bom que todos saibam, pois não se pode esquecer deste detalhe, é imperdoável. Feito isso, é só desfrutar da companhia de um Iago educado, divertido e bem-humorado, que está sempre a sorrir e agradar a todos com quem convive. Membro permanente da turma do abismo, sabe equilibrar as coisas e consegue divertir-se e aprender. Ser feliz e fazer feliz. Obrigada pelo carinho.
Raianna – Um presente que esta turma ganhou no meio do caminho. Não dizem que atraímos o que somos e o que pensamos? É verdade, nenhuma batata podre conseguiria sobreviver em meio a tantas riquezas reunidas. Apesar de quietinha, sempre se deu bem com todos, sempre se posicionou pelas soluções e pela fraternidade. Com equilíbrio, contribuiu para a união que é marca registrada desta turma.
Renata – Bem, eu tenho um pedido de desculpas pra fazer... Lembram-se quando me pediram um livro emprestado que estava grifado, mas Renata tinha lido e eu disse que ela era pata? Então vou acrescentar: as provas de vocês todas, todinhas, sem nenhuma exceção, estão no meu computar, dentro da minha pasta, sem nenhuma camuflagem. Ela nunca, nunca mexeu. Quero corrigir, minha filha não é pata. É dona de uma qualidade pouco usada pelos homens chamada respeito. E é preciso caráter para ter essa atitude com apenas 13 anos. Tenho muito orgulho de você, filha.
Rodrigo – Um capítulo a parte. Eu não sei onde arranja tanto assunto... É muita conversa... Ora Claudinho, Tainá, Raiana, Renata, etc, etc, etc. Mudam-se os parceiros, mas sua presença é fixa num bom bate-papo. Apesar disto, pudemos perceber claramente seu crescimento intelectual. De aluno em recuperação no primeiro semestre do ano passado para um dos melhores neste ano. Arrasou no CEFET. Vamos esperar os flashes seguintes. Hão de ser muitos. Te adoro, Nem!
Thayná – Não! O escândalo em pessoa. Qualquer coisa é motivo de estardalhaço, e com isso, é impossível ficar triste perto dela. Ocupa todos os espaços, e ninguém consegue ficar parado. Só fica triste quando há algum programa fora da escola, porque dificilmente pode ir. Ama sem reservas e doa-se sem preconceitos. Não se esqueça dos meus conselhos... Sentirei saudades de tanto alvoroço!
Vanessa – Vanessinha é meu ídolo. Considero-a o máximo! Não só inteligente, mas racional e madura; decidida, sem, no entanto, perder a doçura; sensata, sem dispor da capacidade de sonhar; consciente de seus propósitos e plena de valores. Eu te amo dez de que você era gordinha e barrigudinha e brincava de barbie no meu quintal. É com muito orgulho que digo que você faz parte da minha história.

Exupéry (vocês sabem quem é, né? Quem sabe?), neste livro que lemos, O Pequeno Príncipe, a raposa diz ao principezinho que "Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez tua rosa tão importante." Então digo que foi o tempo que dedicamos uns aos outros que nos tornam tão importantes. Temos estrelas que ninguém mais tem. Dentre milhares e milhares de alunos que todos os professores de todo o planeta têm, vocês são únicos, porque foi a mim que cativaram. E “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Portanto, eu só quero reafirmar que vocês todos têm lugar cativo no meu coração, onde há um cadeado enorme que perdi a chave, logo vão ficar lá por toda a eternidade.

Mais uma vez citando Exupéry,

"Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, pois cada pessoa é única
e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só
nem nos deixa só.
Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito,
mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
e a prova de que duas almas
não se encontram ao acaso. “•”.

Obrigada por terem me cativado.

Sejam felizes!

Ah, quando nós vamos ao cinema?

2 comentários:

  1. Obrigada, Rita!! E obrigada pelas sugestões. Gostei muito. Atualmente não tenho material para postar aqui, pois estou a 1 ano e meio licenciada por problema de saúde. Mas sempre passo por aqui para alimentar a alma... Beijo e obrigada mais uma vez.

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